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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

100 ANOS DE TARZAN


  • Johnny Weissmuller, como Tarzan, Maureen O'Sullivan, como Jane, e Cheetah, o chimpanzé, em cena do filme "Tarzan, O Homem Macaco", de 1932.
WASHINGTON, 28 dez 2011 (AFP) -Cheetah, o chimpanzé que protagonizou os filmes de "Tarzan" nas décadas de 30 e 40, morreu aos 80 anos, anunciou o santuário da Flórida no qual o animal viveu por mais de 50 anos.

"É com grande pesar que comunicamos a perda de um querido amigo e um membro da família em 24 de dezembro de 2011", afirma o site do Santuário Suncoast Primate de Palm Harbor, na Flórida.

Cheetah participou, entre outros, dos filmes "Tarzan , o Homem Macaco" (1932) e "Tarzan e sua Companheira" (1934), filmes clássicos que relatam as aventuras de um homem criado na selva, protagonizados por Johnny Weissmuller e Maureen O'Sullivan.

O chimpanzé, que chegou ao santuário em 1960, amava pintar com os dedos e assistir jogos de futebol americano. Ficava calmo ao ouvir músicas cristãs, afirmou ao jornal Tampa Tribune Debbie Cobb, diretor do Suncoast Primate.

"Ele sabia quando eu tinha um dia bom ou ruim. Sempre tentava fazer com que eu sorrisse se estivesse em um dia ruim. Era muito sintonizado com os sentimentos humanos", comentou Cobb.

Ron Priest, um voluntário que trabalha no santuário, afirmou que Cheetah se destacava porque conseguia parar com as costas erguidas, como um humano, além de ter outros talentos.

"Quando não gostava de alguém ou algo acontecia, pegava parte de seus excrementos e lançava. Podia arremessar a quase nove metros através das barras de sua jaula", recordou Priest.



Logo depois a revista Veja, 2250, de 4 de janeiro de 2012, divulgou um comentário da imprensa americana: "...a Chita (ou Cheetah) original teria morrido em 1938. (...) Os primatologistas afirmam que chimpanzés vivem até os 50 anos. O animal que morreu teria 80. Chita, que era macho, eternizou-se num papel de fêmea e por muito pouco não deixou sua marca na calçada da fama."


Na minha infância e adolescência, assisti alguns filmes de Tarzan, mas sempre os estrelado por Johnny Weismuller que, para mim, deu dignidade, legitimidade e verosimilhança ao personagem nas telas de cinema. Neste ano, completando 100 de criação da criatura estou re-publicando abaixo um artigo do amigo Fernando do site Quadrinhos Antigos (http://quadrinhosantigos.blogspot.com/). Quem quiser ler a versão no blog original basta acessar o endereço acima. (Queiroz)










2012: 100 Anos de Tarzan!

Durante boa parte do século 20, o herói preferido da garotada não tinha super-poderes, não usava máscara, nem tinha identidade secreta. O encanto de suas aventuras residia em sua integração completa com a natureza, estou falando é claro de Tarzan, o homem-macaco. Ele foi um dos personagens mais populares do século 20, apareceu em dezenas de filmes, séries de TV, desenhos animados e histórias em quadrinhos, mas suas origens estão na literatura. Ele surgiu em 1912 nas páginas de uma revista pulp chamada All Story. Criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs, que embora nunca tenha ido à Africa, criou um universo próprio para o personagem, em sua interpretação o continente ganhou um ar de mistério e magia onde a selva africana escondia civilizações perdidas e criaturas fantásticas. O homem macaco apareceu em mais vinte e quatro livros e em diversos contos avulsos escritos por Burroughs, mais tarde outros escritores como Barton Werper, Fritz Leiber e Philip José Farmer também escreveram obras com o herói. No Brasil foram lançados dezoito livros de Tarzan, publicados pela Cia Editora Nacional a partir de 1933.
Nos quadrinhos ele estreou em 1929, desenhado por Hall Foster na forma de tiras, sendo depois substituído por Burne Hogarth. Nesse período o personagem também foi adaptado para o cinema na pele de Johnny Weissmuller, e ganhou ainda mais popularidade. Apesar disso, Edgar Rice Burroughs nunca escondeu sua insatisfação com os filmes de Tarzan, que segundo ele desvirtuaram seu personagem. Ele detestava em especial Elmo Lincoln, o primeiro ator à interpretar Tarzan ainda na época do cinema mudo, que transformou seu herói em um troglodita. O Tarzan de Burroughs é selvagem, mas também sensível e extremamente inteligente, a inteligência sempre foi a arma decisiva em sua luta pela sobrevivência na selva, foi o que permitiu que ele se tornasse o rei dos macacos.
Além das tiras nos jornais, o personagem ganhou uma revista própria pela Dell Comics no início da década de 1950 com desenhos de Jesse Marsh, a EBAL lançaria esta série no Brasil em 1951 e prosseguiria publicando as histórias do herói até 1989. Nos EUA, durante este período, ele passaria por várias editoras: Gold Key, DC Comics e por fim a Marvel. Tarzan só voltaria à ser publicado no Brasil em 1998 pela editora Mythos, desta vez aproveitando material da Dark Horse (que havia adquirido os direitos em 1992) em um inusitado confronto com o Predador (aquele mesmo do cinema).
Atualmente, o homem-macaco é publicado pela Devir em uma série de encadernados baseados nas edições lançadas pela DC Comics (com desenhos de Joe Kubert). Embora o personagem já tenha vivido tempos melhores, em nosso mundo intoxicado pela tecnologia ele parece despertar um interesse renovado. E com a acelerada destruição do meio ambiente, talvez hoje em 2012, ano em que comemoramos o seu centenário, seja hora das novas gerações aprenderem com o herói a sua mensagem de respeito e integração com natureza.

Tarzan nos quadrinhos
Para concluir esta postagem exibo duas ilustrações de Tarzan, a última possivelmente apócrifa, para sua reflexão, leitor amigo.

CORREIO DO PORTAL - 04.01.2012




From: quadrinhosantigos@hotmail.com
To: mrjustice2010@hotmail.com
Subject: 2012: Centenario de Tarzan
Date: Sun, 1 Jan 2012 16:21:34 +0300
Oi Queiroz
Antes de mais nada feliz 2012 para vc e toda sua familia!
Como vc deve saber 2012 é o ano do centenário de tarzan, eu preparei uma programação especial de ano novo dedicada a ele no blog. Entre elas fiz este texto:
http://quadrinhosantigos.blogspot.com/2012/01/2012-100-anos-de-tarzan.html
Seria muito legal se ele fosse publicado no seu fanzine, envio em anexo também uma imagem comemorativa com um desenho de Joe Jusko.
Ah, e mais uma pergunta: eu poderia postar seu livro no QA? Criei uma versão compactada  a partir da que foi escaneada pelo Paulo do HQPoint, o arquivo ficou menor mas não perdeu resolução. Fernando

From: mrjustice2010@hotmail.com
To: quadrinhosantigos@hotmail.com
Subject: RE: 2012: Centenario de Tarzan
Date: Wed, 4 Jan 2012 00:40:30 +0300

Amigo Fernando
Sobre o seu texto, se você quiser poderei reproduzir no meu blog http://portaldogibinostalgia.blogspot.com/
pois, parei de editar o PORTAL de papel. Sobre a publicação da versão compacta do livro, claro que o amigo pode postá-lo. Cordialmente, José Pinto de Queiroz Filho. Aproveitando, Boas Festas para o amigo, extensivos aos entes queridos.  

Oi Jose
Pode reproduzir sim, a edição em papel acabou? Mas vc esta editando alguma versão eletrônica? (espero que sim). Vou postar sim, e farei uma propaganda do seu blog. Fernando 

Amigo Fernando
Vamos acreditar que a edição em papel foi interrompida por questões, digamos, estratégicas. O difícil é saber quando voltará. A versão eletrônica seria exatamente o blog que edito atualmente. Queiroz


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

PURA NOSTALGIA



Adolfo Caldas Freire

No ano de graça de 1993, lancei, na Livraria Civilização Brasileira, do Shopping Iguatemi, em Salvador, Bahia, um livro sobre as histórias em quadrinhos intitulado: Quadrinhos, Portal de Encantamento. 


O espaço físico e pequenas mordomias (incluindo doses generosas de taças cheias de vinho) foram patrocinados pelos donos da livraria -, que, anos depois faliram, por não suportar a concorrência com a  internet. 


Dentre os presentes, fãs conhecidos de HQs em Salvador, Bahia: Carlos Modesto, Aimar Aguiar, Tom Mix (não era o cowboy americano, mas um baiano cujo pai lhe deu este nome em homenagem ao ator) e muitos, muitos outros. Também, um número considerável de mulheres, que se costuma dizer não gostam de quadrinhos; elas lá estavam, não somente atraídas pelo autor (rs.,rs.,rs.), mas principalmente para prestigiar o lançamento do livro. Havia, ainda, os frequentadores e clientes contumazes, pegos incidentalmente, que participaram do evento, inclusive, comprando o livro. Lógico que também se fizeram presentes os amigos e meus familiares.


Na mesma livraria, havia 
lançado antes (1991) um 
livro de medicina 
com 959 páginas.
Entretanto, houve um visitante que se destacou: Adolfo Caldas Freire. Vestia um terno completo impecavelmente branco (paletó, camisa, calça e sapatos), e se apresentou como um dentista que amava as HQs. Foi o primeiro da fila e comprou o primeiro exemplar do livro. Batemos um longo e animado papo, quando demonstrou possuir conhecimentos profundos sobre as histórias em quadrinhos. Também fiquei sabendo que possuía uma enorme e invejável coleção de gibis das décadas de trinta/quarenta/cinquenta garimpados meticulosamente, ano a ano, e guardados com extremo carinho  

Apesar de tudo, a nossa amizade que prometia ser promissora, não deslanchou. Por muito tempo, perdemos o contato, e ficamos sem nos ver. Anos depois, Adolfo enviou-me uma carta pedindo desculpas pelo distanciamento não intencional, e ofereceu-se para colaborar com o PORTAL Zine, de papel. Sugeri que fizesse um artigo sobre os gibis da Primeira Era de Ouro, publicados no Brasil. E ele o fez. Funcionou como o seu canto de cisne, pois logo depois faleceu vítima de um fulminante infarto do miocárdio.

O seu artigo foi elogiado por todos que o leram. O seu tom nostálgico enfeitiça. Funciona como se cada um de nós tivéssemos tido um "seu" Calina. Trata-se de uma narrativa inteligente e documental que leva o leitor a vivê-la com encantamento.  Na verdade, o conteúdo simples, direto e mágico cativou os leitores que tiveram a oportunidade de ler o relato que publiquei na Edição de São João do PORTAL Zine, 45, de abril-maio-junho de 1993.  Estou reprisando-o, na íntegra,  para você leitor amigo do blog, também desfrutar de sua leitura. (Queiroz)





Adolfo Caldas Freire




1 – O SEBO DE SEU CALINA

Havia na Baixa de Sapateiros, imprensado entre a Sapataria Onça e uma farmácia, em frente à ladeira da Saúde, uma portinha - apenas uma portinha - com uma tabuleta na bandeira: LIVROS NOVOS E USADOS, CADER­NOS, ETC. Devo salientar que nunca vi alguém, pai ou garoto, lá entrar, para comprar livros ou cadernos. Era o SEBO DE SEU CALINA, nome dado, é óbvio, por nós, seus assíduos freqüentadores, garotos de 11 e 14 anos..

Não sei há quanto tempo o SEBO DE SEU CALINA existia, quando começou ou quando ter­minou. Eu o conheci na década de 40, mais precisamente, em fins de 1943,. Morava então, na Fonte Nova, em pleno largo. Ninguém pode imaginar como aquilo era diferente, barro e mato onde hoje é o Estádio da Fonte Nova. O famoso Circo Fekete armava sua barraca bem em frente á minha casa, no. 111, da Rua Joa­quim Maurício - ladeira da Fonte das Pedras.

Eu tinha vindo da Rua Carneiro de Campos, de um so­brado, ao lado do Colégio Ypiranga, onde morou (ou mor­reu?) o poeta Castro Alves. Vivia isolado, sem amigos a não ser meus gibis, compra­dos nas bancas, logo quando saiam. O único contacto com outros garotos era no Colégio Esta­dual da Bahia e lá não havia gibis. Quando meu pai (grande leitor da revista X-9), mudou-se para a Fonte Nova, um novo mundo abriu-se para mim. Conheci José Afonso (ainda vive? Por onde andará?) meu grande amigo de infância, apaixonado pelos quadrinhos, embora fosse diferente de mim. Ele comprava e vendia conforme as necessidades ditadas pelas matinês. Eu nunca vendi nada e só comprava o que era para guardar, conhecia de longe os bons desenhos. Nunca comprei nada dos desenhistas nacionais.

Por intermédio do meu amigo Afonso, que já mora­va na Fonte Nova, conheci o SEBO DO SEU CALINA; a tal livraria de uma porta só não era mais do que um cor­redor com um balcão atravessado ao meio do comprimen­to. Após o balcão, que nunca era ultrapassado, um mundo de pacotes empoeirados em uma sujeira de meter medo.
SEU CALINA comprava e vendia gibis. Era esse, realmente, o seu negócio. Não sei se ele vivia apenas com esse rendimento. Não, deveria ser um velho aposentado que procurava ter uma ocupação para não ficar em casa enchendo o saco dos outros.

De vez em quando, o velhote colocava à venda verdadeiras preciosidades. A princí­pio ele não sabia julgar o valor das edições, mas com o tempo, ficou sabendo que as mais antigas eram mais valiosas, independentemente do estado de conservação. Mas como o velhote explorava a meninada! Um gibi recém saído (1$500) ele pagava $200 ou $500 e revendia por 1$000. Quando o gibi era antigo, vendia por um preço acima do marcado na capa.

Nas férias escolares, eu comparecia com maior frequên­cia ao sebo de SEU CALINA, na esperança de encontrar alguma coisa dos anos passados, afinal estávamos em 1943 e muita coisa das décadas de 30 e 40 eram desconhecidas para mim. Eu não era mais do que um garimpeiro à procura daquelas preciosidades que sabia que existiam.

Muito importante era, também, a abordagem aos que chegavam para vender, antes que eles entrassem no sebo. Nesse caso, havia vantagem para ambas as partes.

Da Fonte Nova até a Baixa dos Sapateiros, era um pulo. Pela Saúde, logo eu estava lá. Era, também, o meu caminho quando eu ia à matinê e ao Taboão.

Muita coisa eu comprei de SEU CALINA, um terço do que tenho e guardo até hoje.

Corria o ano de 1944 e eu naquela vidinha boa, juntando aos poucos o que conseguia de melhor. Aconteceu que certa ocasião, algum colecionador, talvez dali mesmo do Pelourinho, resolveu vender sua coleção, mesmo sabendo que seria rou­bado pelo velhote sabido. Afinal, só havia aquele sebo e uma banca no Taboão. Ao chegar ao sebo, certa tarde, verifiquei, num velho armário, com porta de vidro, que ficava no corredor, vários gibis em exposição. Ali estavam, dependurados, exem­plares do GURY, GIBI MENSAL, GLOBO JUVENIL MENSAL, todos de 1940 e 1941, em exce­lente estado de conservação. Quase enlouqueci. Quantos eu ainda não tinha. Era um garoto pobre, não tinha mesada. Isso aconteceu por ocasião de minhas férias de fim de ano. Tive que cortar as matinês, inclusive a dos domingos, cortar o picolé, o sorvete e tudo mais que não fosse gibi.

Sabia que existiam muito garotos que compravam e vendi­am suas revistas, mas nunca tive aproximação com nenhum deles. Sabia, também, que aqueles que compravam mensalmente as revistas que saiam nas bancas eram colecionadores. Nunca conheci nenhum.

Logo o sebo entrou em decadência. Já não havia coleci­onadores vendendo suas cole­ções. Com a aproximação do vestibular, afastei-me das revistas e dos amigos que tinha na Fonte Nova. Não só os qua­drinhos estavam entrando em decadência como eu havia me mudado para o bairro da Calça­da.Pouco havia para comprar nas bancas. Soube depois, por acaso, que SEU CALINA havia se mudado para o Pelourinho (outra portinha), ao lado da Igreja do Rosário dos Pretos. Eu já estava na Faculdade e me preparando para a vida profissional. No entanto, nunca deixei de comprar as boas coisas que ainda, vez por outra, eram publicadas pelas EBAL, RGE, etc. Até hoje. Nunca vendi nada.

Quando conheci o fanzine do Barwinkel, fiquei admirado ao saber quantos idosos, como eu, ainda guardam suas coleções  suas valiosas coleções. Depois veio o conhecimento das edições do Cassal, do Kern, do Valdir Damaso e muitos outros. Era voltar ao passado, aos verdes anos da minha infância querida, quase toda preenchida pelo amor aos quadrinhos.

Era conversar através das cartas, com gente que entendia e muito do assunto e tomar conhecimento de muita coisa que ficou escondida no passado. Aqui em Salvador, nunca conheci sebo algum especializado em quadrinhos ou qualquer movimento referente ao assunto a não ser as tenta­tivas de Gutemberg e do Aimar, com uma exposição de revistas de quadrinhos e um fanzine, mimeografado a álcool. Mais recentemente (!) surgiu o magnífico PORTAL, do José Pinto de Queiroz Filho, que pode ser considerado, realmente, o primeiro fanzine baiano.

E um prazer ler as cartas dos leitores dos fanzines quando relatam tudo aquilo que eu sei, que vivi ou que tenho em minha coleção. Alegra-me, também, ao ler que alguns fanzineiros, já idosos e lidos, como eu, desconhecem, por exemplo, a origem do As de Espadas ou do Titan, ou do Vingador ou do Justiceiro. Coisas elementares, mas que mostram, no entanto, a importância esclarecedora dos fanzines. Eles estão registrando para o futuro, as jóias do passado e se assim não fosse como os jovens tomariam conheci­mento dos lindos desenhos de Alex Raymond, Hal Foster, Milton Caniff, Frank Robbins, Hogarth e tantos outros maravilhosos artistas?

Onde andarão, hoje, aqueles garo­tos que naquele passado querido garimpa­vam, como eu, nos sebos, nas matinês, nas bancas de revistas? Alguns deles ainda vivem? O que foi feito de suas revistas? Será que sou o "último dos moicanos"? O último que ainda guarda com amor e carinho aquelas revistas adquiridas na " Era Dourada"?

2 - O GLOBO JUVENIL MENSAL

O GIBI MENSAL não foi a primei­ra revista em quadrinhos, com histórias completas, que eu conheci. Foi, no entan­to, a melhor de todas, só superada pelo GLOBO JUVENIL MENSAL, que surgiu logo depois.

Muito antes de conhecer o GIBI MENSAL, já conhecia as tiras do SUPLE­MENTO JUVENIL e as histórias comple­tas do querido MIRIM SEXTAFERINO todos com excelentes desenhos, em contraste com os do famigerado TICO- TICO, com os quais eu estava acostuma­do.

Uma noite, ao voltar do trabalho meu pai trouxe, juntamente com o jornal, uma revista que encheu os meus olhos. A capa era simplesmente fantástica. Um casal se defendia do ataque de vários monstros, com suas pistolas de raios. O título da revista: O GURY. Folheá-la, foi um deslumbramento. Páginas a cores com histórias jamais vis­tas. Era o GURY, no. 1, de Maio de 1940 e eu tinha nove anos.

Quando conheci (emprestados) o GIBI MENSAL e o GLOBO JUVENIL MENSAL, logo notei a diferença. Enquan­to o GURY era a cores, o GIBI e o GLOBO JUVENIL MEN­SAL tinham suas páginas em preto-e-branco, mas os desenhos...AHH!!!, as histórias, os desenhos, eram outra coisa. A maioria, ou a quase totalidade dos desenhistas do GURY ainda estavam no início de suas carreiras, ainda tateando.... WILL EISNER, RED CRANDAL, HENRY KIEFER, AL BRYANT, ALEX BLUM, BOB POWELL, JOHN CELARDO e outros começavam suas atividades.

O GURY foi, no entanto, uma ótima revista nas suas diversas fases, com excelentes historias. Mas dizer que era "as melhores histórias na melhor revista", é cometer injustiça. O GLOBO JUVENIL MENSAL bateu até o GIBI MENSAL. Se compa­rarmos as histórias dele: ZAZ-TRAZ, TUBARÃO, TRIO PÚRPURA, COMETA, RAIO, SELO ESCARLATE, DRAGO E ROY, ANJO, ZAMBINI, AMAN, e mais tarde, KARDAK, VINGA­DOR, ARQUEIRO, SUPER-HOMEM e outros, com as do GURY, veremos que a diferença é gran­de. Até o GIBI MENSAL era melhor que o GURY, pois apresen­tava as histórias de; TOCHA HUMANA, SUBMARINO, KA- ZAR, ASAS GLORIOSAS, JUS­TIÇA INVISÍVEL,, BOZO, CORINGA, CHAMA e outros.

Acompanhei o desenvolvi­mento da arte de todos aqueles desenhistas do GIBI e do GLOBO JUVENIL mensais, até a fase em que os quadrinhos entraram em crise.

Não podemos esquecer que o GURY recebeu verdadeira transfusão ao publicar em suas páginas as maravilhosas histórias coloridas de MARTAN, MORRO, DUPLA FURACÃO, REX e outras. Mais tarde, muito mais tarde, seriam publicadas as histórias do herói que se transformaria no sustentáculo da revista: CAPI­TÃO AMÉRICA, com os belos desenhos de AL AVISON e SYD SHORES e outros.

Não custa lembrar que o Sr. Roberto Marinho, entusiasma­do com o sucesso do GIBI MENSAL, pretendia transformá-lo em quinzenal. O GIBI seria publica­do duas vezes ao mês. O que vimos, no entanto, fo o surgimento de uma outra revista, também com 100 páginas e com histórias tão boas ou melhores que as do GIBI.

Era realmente uma época de ouro. Além do MIRIM, MIRIM MENSAL, MIRIM SEXTAFERINO E MIRIM DOMINICAL, tínha o SUPLEMENTO JUVENIL, GAZETA JUVENIL: GLOBO JUVENIL TRI-SEMANAL, GIBI TRI-SEMANAL, GURY, LOBINHO. POLICIAL EM REVISTA, CONTOS MAGAZINE e X-9 eram para nossos pais e irmãos mais velhos.

As bancas de revista (ou de jornais) eram, para nós, verdadeiras árvores de NATAL. Naqueles belos tempos, naqueles lindos dias da nossa infância.

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios... Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida (...) antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. (Charles Chaplin)





HANGMAN (da MLJ)


Pequenas biografias de grandes heróis
VINGADOR (Hangman) outra vez

 Morre o Cometa, nasce o Vingador

Em fevereiro de 1942, o Globo Juvenil Mensal, no. 16, publicou, como de costume, mais uma história do Cometa; desta feita, resolvendo um caso de sabotagem na Companhia Construtora Acme. No fim o aviso: "Outra aventura do Cometa, em março." E conforme o prometido, no número seguinte - de março de 1942 -, lá estava o herói. Só que, o título da história era: Morre o Cometa, Nasce o Vingador! Surpresa geral. Naquele tempo os personagens de quadrinhos não morriam (nem ressuscitavam) tão facilmente como os de hoje (2011). O certo é que o herói estrelado recebeu vários balaços no peito e sucumbiu nos braços do irmão Bob Dixon que, transtornado, diz a Telma, viúva do Cometa: "Hei de vingar a morte de Jon, Telma! Não descansarei enquanto não prender os seus assassinos! Serei o VINGADOR! "

Dito isto, começou a trabalhar no laboratório do irmão, declarando: "Todos os criminosos são covardes. Minha primeira tarefa será a de descobrir uma indumentária que tire vantagem disso!"

Criou uma roupa constituída de malha verde, capa e golas pontudas brancas, máscara, luvas, botas e calção pretos e um cinto de cordas. Simplória, mas com impacto visual. Vestiu-se, e nasceu O Vingador, o mais terrível e vingativo carrasco contra o crime. Leia mais deste pequeno artigo: Faça download aqui

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

MISTÉRIOS DOS QUADRINHOS UM



Mistérios... São muitos os mistérios dos quadrinhos que ainda não foram revelados. O que me interessa no momento é saber por que Lone Ranger (o Cavaleiro Solitário) recebeu, no Brasil, o apelido de Zorro (raposa, em espanhol)?

E por que, em Portugal, foi cognominado de Máscara Negra? O que as nações que falam o português têm contra o nome original do personagem? Se alguém souber, me conte...

Em se falando de Lone Ranger, aproveito para lhe presentear, leitor amigo do PORTAL, com uma HQ, à cores, do heróico cowboy com primorosos desenhos de Charles Flanders. A tradução, como sempre é minha.
Faça o download aqui.  (Queiroz)
  

sábado, 24 de dezembro de 2011

CINEMA: PAVILHÃO 7 (CAPTAIN NEWMAN M.D.)


PAVILHÃO 7 (CAPTAN NEWMAN M.D.)

Na véspera deste Natal de 2011, decidi colocar, para download, o primeiro filme no blog. Trata-se de uma obra que consolidou, ainda mais, a minha motivação pela prática da Medicina. E para dar um toque especial neste resgate, eu mesmo me encarreguei de fazer a tradução dos diálogos.

A película se passa num quartel da Força Aérea norte-americana e foca um Pavilhão (enfermaria) de Neuropsiquiatria. O ator principal é Gregory Peck, a mocinha Angie Dickinson e o chamado “segundo artista” o excepcional ator Tony Curtis, no papel do impagável cabo Jack. Depois de várias odisséias, o filme termina comemorando o Natal da década de quarenta. No meu entender, vale a pena assisti-lo. (Queiroz)


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

DIÁLOGO NO FACEBOOK



Paulo Castilho publicou no seu Mural. "Me surpreendi com a quantidade de downloads dos seus fanzines que eu reupei: MAIS DE CEM DOWNLOADS EM UMA SEMANA.


José Queiroz Filho respondeu:
É compensador saber disso, mas também me parece compreensível. A tiragem do PORTAL de papel era muito pequena e só poucos assinantes sabiam de sua existência. Divulgados no seu blog - com uma penetração invejável - o número de leitores interessados deve ser bem maior.


Mudando de assunto, já me passou pela cabeça, por mais de uma vez, enviar todos os PORTAIS publicados para o amigo escanear e colocar no HQ POINT. Só não sei ainda como enviá-los de maneira confortável e descomplicada. Cordialmente, José Pinto de Queiroz Filho


Paulo Castilho A melhor maneira seria via correios. Pago as despesas. Seria uma honra para o HQ POINT poder disponibilizar essa obra-prima.

Ruy José Furst Gonçalves escreveu:
Feliz natal, velhos dinossauros Jose De Queiroz Filho e José Simões Filho. Que a vida lhes traga sempre antiguidades, e muita saúde.

Amigo Ruy
Fiquei imensamente satisfeito ao receber a sua mensagem. Desejo o mesmo para você: um FELIZ NATAL e um PRÓSPERO ANO NOVO, extensivos aos entes queridos. Em se falando de antiguidades peço-lhe que visite o blog nostálgico:
Cordialmente, José Pinto de Queiroz Filho


1 de Maio
Queiroz,
satisfação vê-lo por aqui.

1 de Maio
Curt Swan
Queiroz,
baixou aquela edição do Curt Swan?

Vamos ter alguma matéria daquelas traduzidas para o PORTAL?

Vendo suas fotos dos nazistas, lembrei-me de que em breve estarei postando um álbum em espanhol cuja história se passa na II Guerra. O tema: o III Reich vendo que vai perder a guerra decidiu usar a sua última cartada, uma arma biológica. O efeito é devastador... criaturas surgem e atacam os dois lados....
A arte é diferente do que estamos acostumados... parece ter sido feita com lápis pastel em dois tons. Aguarde.
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15 de Agosto
Amigo Queiroz?
Pode falar agora?
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15 de Agosto
Posso, sim Diga!
Ainda não baixei a edição de Curt Swan, mas pretendo fazê-lo em breve!
  •  
15 de Agosto
Tô digitalizando uma sobre o Gil kane e em seguida partirei para os Romitas (pai e filho). Também estou com uma outra aqui, do Al Williamson.. Fique de olho, amigo.
  •  
quarta
Seu blog está melhor do que nunca. Parabéns!
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há 15 horas
Fiquei feliz com o seu elogio ao blog do PORTAL. Um dia, quero chegar perto de seu maravilhoso trabalho no HQ POINT. Um abraço, FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO extensivos aos entes queridos.
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há 14 horas

"Por que as pessoas adoram colecionar" foi tema de discussão aqui na roda de amigos que fazemos sempre.
    •  
O artigo é muito esclarecedor. Passamos a entender várias "neuras" de alguns amigos, que insistem em ficar presos a uma época e a um tema específico.
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há 11 horas
Verdade? Gostaria, se possível, de ler algo sobre a discussão.


·         O papo rola solto aqui e falamos de várias coisas em um mesmo dia. Um de nossos amigos gosta daquelas séries antigas de televisão e não gosta dos novos seriados que estão passando. É a mesma coisa com filmes. Outro deles ficou preso nos anos 80, em música e gibis... não consegue colecionar outras coisa contemporâneas. Eu não conseguia entender o porque disso, mas ficou mais fácil depois de ler seu artigo.
·        
Dos meus 8 ao 16 anos, minha brincadeira preferida era brincar com aqueles bonequinhos da Gulliver. Como a família era pobre, eu tinha que me virar para comprá-los e olha que consegui uma quantidade significante, dos quais eu cuidava muito bem. A partir dos 16 anos outras coisas começaram a chamar minha atenção e acabei deixando-os de lado. recentemente comecei a montar minha coleção novamente e tento reaver todos os que eu tinha na época (o que não está sendo fácil). Meu compadre tem um FORTE APACHE (que era a minha paixão). Certo dia desses fui pra casa dele e pedi para deixar que eu o montasse... voltei no tempo, o cheiro dos brinquedos, a textura....aaaaah... que maravilha!!!!

Mais uma vez, obrigado pelo artigo.


Sou eu quem lhe agradece...!

E. Figueiredo



MENSAGEM NA GARRAFA
E. FIGUEIREDO
Não me lembro, exatamente, quantos anos eu tinha, sei que era um garoto, ainda. Eu lia muito gibi (quadrinhos) e, uma das estórias que eu li, mostrava um personagem perdido numa ilha deserta, desesperado para ser salvo. Na esperança de ser resgatado, teve a idéia de colocar u'a mensagem no interior de uma garrafa, pedindo socorro e a lança ao mar. Como o homem conseguiu um lápis, papel e garrafa até hoje não sei, mas lá foi a garrafa, com seu conteúdo, mar adentro. E o gesto do personagem perdido ficou encalacrado em minha mente a qual passou a dar asas a um plano.
Nessa época eu morava num bairro de São Paulo, quilômetros longe de algum mar. Pretendia colocar u'a mensagem dentro de uma garrafa e fazer um pedido para Papai Noel., na expectativa que chegaria até ele. (Coisas de criança, evidente.)

No dia em que minha Mãe dispensou um vidro vazio de Água Inglesa (medicamento que ela consumia) peguei-o para concretizar a minha intenção: redigir uma cartinha ao Papai Noel, com um pedido, e tentar fazer com chegasse a ele.

Caprichei na redação da mensagem. Quando terminei enrolei a folha fazendo um canudinho e introduzi, através do gargalo, na garrafinha. Tampei com uma rolha e derreti vela sobre ela para que ficasse bem vedada.

Aí surgiu um busílis ! Por onde enviar a garrafa ?!...

Eu havia assistido ao filme A ILHA DO TESOURO, baseado na obra de Robert Louis Stevenson e tive a idéia de enterrar a garrafa no fundo do quintal da minha casa, a exemplo do que os piratas faziam com os tesouros saqueados. No referido filme, um menino se vê num navio em busca de um tesouro; há um mapa do tesouro, com um X (xis) assinalado onde uma arca cheia de ouro está enterrada numa praia.
Agora, quando recordo-me dessa passagem da minha infância, acho graça da minha inocência de então. Lembro-me do pedido que havia feito: um trenzinho elétrico.
Provavelmente, a garrafa não chegou até Papai Noel....

Dezembro 2011


Amigo Figueiredo
Desejo-lhe também um FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO. Após o Natal pretendo enviar-lhe duas HQs para o seu deleite. Cordialmente, José Pinto de Queiroz Filho