quarta-feira, 8 de junho de 2011

CAPITÃO MARVEL ORIGINAL




Atendendo ao pedido do amigo Paulo Castilho do blog HQpoint.




Marvel, recebendo os poderes do mago Shazam


Introdução

Esta é uma introdução ao personagem Capitão Marvel. Gostaria que fosse lida por todos que simpatizam com o ingênuo super-herói da editora FAWCETT - hoje, nas mãos da DC. O novo fã que está descobrindo a Capitão Marvel original irá encontrar fatos interessantes na história deste personagem. Para o antigo fã, este artigo poderá propiciar doces recordações da infância resgatando as boas lembranças.

Poderes - Capitão Marvel é detentor do poder de Shazam, que é a soma das competências de: Salomão, (sabedoria); Hércules, (força); Atlas, (vigor); Zeus, (poder dos deuses); Aquiles, (coragem); e Mercúrio, (velocidade).

Figura mitológica

Atributo

Aplicações

Salomão

Sabedoria

A Sabedoria de Salomão se reflete na forma de conselhos que o Capitão ouve dentro de sua mente. Este aspecto também permite traduzir línguas perdidas, como hieróglifos. Com a sabedoria de Salomão, também pode construir coisas tal como uma nave espacial ou o mineral Marvelium.

Hércules

Força

A força de Hércules permite erguer pesos extraordinários de muitas toneladas, e destruir materiais extremamente resistentes. Em Power of Shazam #46, foi mostrado que uma queda de braço entre o Super-Homem e Capitão Marvel durou horas durante um enfrentamento em Fawcett City, e poderia não chegar a um vencedor se o Capitão Marvel Jr. e a Mary Marvel não tivessem se transformado em suas contrapartes poderosas, dividindo o poder de Shazam. Quando o herói era propriedade da Fawcett podia mover e destruir planetas, deslocar asteróides, carregar toneladas de peso.

Atlas

Vigor

O vigor de Atlas torna o seu corpo invulnerável, resistência a venenos e a capacidade de poder sobreviver no vácuo do espaço. Algumas histórias sugerem que o poder de Shazam também concede íncrivel longevidade, uma vez que Trovão, a sucessora do poder de Shazam no século XXX, recebeu seus poderes de um envelhecido Capitão Marvel; e o próprio detentor original dos poderes, o mago Shazam, possui 10 mil anos de idade, já que nasceu na época em que a Humanidade ainda era uma raça nômade. Numa aventura da Fawcett, o Capitão Marvel resiste a explosão de uma bomba dezesseis milhões de vezes mais poderosa que uma bomba atômica.

Zeus

Poder dos deuses

Ao pronunciar a palavra "Shazam!", ele atrai o relâmpago mágico de Zeus e se transforma do garoto Billy Batson no adulto Capitão Marvel e vice-versa.

O relâmpago não lhe causa dano, mas outras pessoas que estejam no raio de ação podem sair feridas. Também já foi mostrado que ele pode modificar a sua aparência com o poder de Zeus: certa vez, precisando abrir uma conta no banco, disfarçou-se no próprio pai usando tais poderes; mas raramente utiliza esse expediente. O poder de Zeus lhe confere invulnerabilidade e imortalidade.

Aquiles

Coragem

A coragem de Aquiles lhe permite encarar, sem medo, os piores vilões e os grandes perigos.

Mercúrio

Velocidade

Por desafiar a gravidade o herói pode voar. A velocidade de Mercúrio permite-lhe correr a grande velocidade, executar ações rapidamente e perceber o mundo como se estivesse em câmera lenta, permitindo que, por exemplo, ele possa deter um projétil em alta velocidade.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Capit%C3%A3o_Marvel_(DC_Comics)


Capitão Marvel, o grande queijo vermelho

Desenho de C.C. Beck

Um olhar retroativo à figura do Capitão Marvel mostra que ele foi realmente a grande maravilha dos gibis, pelo menos, para os leitores de uma época mais inocente para a qual foi concebido e publicado. Constituiu-se, sem dúvida, num personagem absolutamente perfeito. Dotado de atributos de heróis e deuses legendários -, foi o único Mortal mais Poderoso do Mundo impregnado de inconfundível inocência. Na verdade, o Capitão Marvel se constituía num maravilhoso sonho infantil com músculos de aço. Estamos falando de um super-herói, excepcional campeão de vendas na Era de Ouro dos Quadrinhos. Entretanto, desde seu desaparecimento, nos meados dos anos cinquenta, as tentativas de fazê-lo ressurgir jamais alcançaram o mesmo sucesso.


Marvel e Super-Homem

Seguramente, o Super-Homem é, e sempre será, o primeiro super-herói dos quadrinhos. Refiro-me ao Super-Homem original, e não ao novo personagem que pode morrer assassinado (e ressuscitar), clonar-se em duas pessoas diferentes (Super-Homem azul e vermelho), e cujo uniforme e capa sempre estão se rasgando, ao menor esforço, deixando-o em andrajos.

Mas o Super além de ser adulto, nem mesmo é terrestre. Uma criança pode até adorá-lo, mas tem dificuldades de imaginar-se como um allien. Por outro lado, o Capitão Marvel não só é humano - os editores o emblematizaram como o Mortal mais Poderoso do Mundo, dando elegante bofetada de pelica no rosto do Kryptoniano -, mas é também uma criança num corpo de adulto, graças a palavra mágica (e os poderes) de um velho mago.


Qualquer criança poderia antever a chance de, um dia, poder transformar-se num adulto através de uma palavra mágica que o tornaria poderoso, o suficiente, para adequar-se, com vantagem, ao mundo das pessoas adultas. Carlos Modesto, amigo, cineasta, apaixonado por cinema e leitor de quadrinhos confidenciou-me que quando criança costumava pronunciar a palavra Shazam, mas nunca conseguiu se transformar no herói.

Os autores do Grande Queijo Vermelho (como SIVANA, seu inimigo figadal, costuma chamá-lo), decidiram copiar a estrutura familiar de classe média criando uma irmã (Mary Marvel, hoje também conhecida como Capitã Marvel), seu amigo-irmão (Capitão Marvel Júnior), e dois falsos Marvel, agregados: Tio Marvel (Dudley) e Sardenta Marvel, (prima), além dos Três Tenentes Marvel, três jocosos e caricaturais tipos de americanos do norte: o montanhês magro (tabaréu), o gordo da cidade e o milionário extravagante.

Os grandes vilões


Criaram, ainda, os grandes vilões. Dentre outros, Adão Marvel, Sivana (Dr.Silvana, no Brasil), a minhoca Mr. Mind (Sr. Cérebro, no Brasil), além de uma plêiade de divertidos personagens coadjuvantes, dos quais se destacam o Sr. Malhado (Tawky Tawny), o tigre falante e Branca de Neve (garoto negrinho, que, acredita Modesto, talvez tenha sido o primeiro negro a figurar numa história em quadrinhos, no formato comic-book).

Tais personagens corriam riscos enfrentando esquemas sinistros (e simplistas) que preenchiam as páginas de uma variedade de títulos de gibis da Fawcett, desde os primórdios da Idade Dourada (1940) até a última edição em 1953. O gibi do Capitão superou em vendas o do Super-Homem nas bancas de jornal, durante muitos anos -, e não em lojas especializadas onde o vendedor costuma persuadir o leitor, educadamente, a adquirir o produto manqueteado do momento.

Universo pós-moderno

De muitas formas, o universo do Capitão Marvel sempre esteve a frente de seu tempo. Seus autores utilizaram histórias em seriadas, na época em que as continuações eram rejeitadas pela maioria dos escritores que afirmavam: as histórias em continuação são mortais para a sobrevivência do personagem.

Durante quatro anos, o Capitão estrelou um dos seriados clássicos de cinema, enquanto fazia carreira de sucesso em 23 edições mensais. Também em tiras coloridas de jornais. A linha de publicações da Fawcett apresentava convidados reais, habitualmente caracterizados, e cruzamentos de heróis e vilões -, antes da existência da palavra (crossover), hoje utilizada para descrever tais interações.

Criadores

De início, mas não do início em que Billy Batson, caminhando túnel abaixo, num metrô longo e escuro, encontrou o mago SHAZAM, que mudou radicalmente o seu destino, mas, sim, o das pessoas que o puseram lá.

Capitão Marvel nasceu em 1939, criado a partir de uma idéia de Bill Parker, então, editor da Fawcett, que publicava uma linha de revistas de humor. Pediram a Parker para criar um novo super-herói que ajudasse a editora a penetrar no novo e crescente mercado de quadrinhos. De início, concebeu o Capitão como líder de um time de tenentes, cada deles possuindo o poder de uma figura da mitologia grega clássica. Curioso, tal início, até hoje, permanece esquecido ou negligenciado pela maioria dos estudiosos de Quadrinhos, A idéia de time foi rejeitada como inviável – hoje, acredito, teria melhor sorte se considerarmos as várias equipes de heróis (X Men, Vingadores, Defensores, Campeões, Turma Titã, etc.) que desfilam fazendo sucesso.

Captain Thunder

Eis algumas pequenas e estranhas coincidências que os historiadores de gibis adoram:

Ø o Capitão Marvel, (originalmente chamado de “Capitão Thunder”), estreou em Flash Comics, uma edição ashcan, preto-e-branco (antigos gibis publicitários, distribuídos gratuitamente por seus patrocinadores), publicado oficialmente em janeiro de 1940.

Ø O nome teve de ser mudado porque a DC já tinha um personagem chamado Flash, publicado inicialmente na revista All-American Comics e, ainda no mesmo mês em outra revista intitulada Flash Comics.

Ø Depois de outro enfrentamento de título duplicado (Thrill Comics), a Fawcett colocou a nova revista nas bancas de jornais com o nome definitivo, Whiz Comics #1, isto em fevereiro de 1940.

Ø Os (estudiosos de HQs constumam considerar a versão ashcan intitulada Flash Comics, como o número 01 oficial).

A essência de Marvel

Ainda no começo, C.C. Beck, diretor de arte das histórias do mortal mais poderoso do mundo, foi quem mais se identificou com o capitão, ao longo de sua carreira. Era seu desenhista principal e possuía um estilo perfeito para as histórias do Capitão, pois era capaz de expressar a essência de um menino no corpo de um homem -, dado fundamental para explicar a inocência do herói. Beck e seu assistente, o artista Pete Costanza, foram fundamentais para o sucesso do personagem.

Quando Otto Binder, veterano escritor de ciência-ficção, sucedeu Parker nos roteiros da Saga dos Marvel, a série alcançou o pico do sucesso, e que a faz famosa até os dias de hoje. Outros grandes escritores e artistas (Kurt Schaffenberger e Mac Raboy, por exemplo) também contribuíram para o sucesso dos Marvel, mas foram os trabalhos de Binder e Beck que fundamentaram a essência do Grande Queijo Vermelho.

Reedições

O leitor interessado nas primeiras histórias (e com 50 dólares para gastar) poderá ler as 15 aventuras escritas por Parker, publicadas na WHIZ, que a DC liberou recentemente no Volume 1 dos The Shazam Archives. Terá a oportunidade de ver a arte de Beck e Costanza, melhorando de história em história, e testemunhar como criaram um “feeling” singular para o personagem e seu mundo. São histórias simples, diretas e incisivas, e, de certo modo, imprimem um caráter singular ao Capitão, que o mundo veio conhecer e amar.

O “verdadeiro” Capitão Marvel jamais vestiria um fraque para encontrar-se com uma mulher bonita, como fez na história de WHIZ #15, por exemplo. Além disso, todos os coadjuvantes estão lá: o velho Shazam, Billy Batson, Sr. Sterling Morris, diretor da estação de rádio WHIZ, e, especialmente, o clássico inimigo do Capitão, Dr. Thaddeus Sivana - junto com duas crianças, que logo desapareceram, dando lugar aos vilões Sivana Jr. e Geórgia Sivana.

Além do simples começo, multiplicaram-se novos personagens no Mundo de Marvel. Já mencionamos: Capitão Jr., Mary, três Tenentes Marvel, Tio Dudley e Sardenta (embaraçosos e falsos Marvel, sem quaisquer poderes), o Coelho Marvel, que, em história recente, foi explicado como personagem de um sonho, que emergiu enquanto Batson dormia. Ainda, personagens de suporte, muitos, notáveis e maravilhosos, como o Sr. Tawky Tawny, o tigre falante. Tembém, os vilões extraordinários como: os Sivanas (a Família mais perversa do Mundo), Rei Kull, Capitão Nazi, Senhor Átomo, Adão Negro (o único Marvel vilão), e talvez o sujeito mais perverso e mal da história dos gibis, Mr. Mind (Senhor Cérebro).

Inovações


Como referimos antes, o surgimento precoce de histórias seriadas na Fawcett, foi considerada uma inovação sem par. Outra inovação foram os crossovers. A revista WHIZ #15, que finaliza o primeiro Archive collection, publica uma história de Spy Smasher (HÉRCULES, no Brasil), em três-edições, seis capítulos, fazendo crossover com o Capitão Marvel. Spy Smasher, hipnotizado, torna-se agente inimigo (lembrando o seriado de cinema) e tem que ser detido pelo herói. Marvel ainda juntou suas forças com outro herói da Fawcett, BULLETMAN, para enfrentar o Capitão Nazi, em Master Comics #21, o que redundou no nascimento do Capitão Marvel Jr. no WHIZ #25; e um imediato crossover com o Capitão Marvel Jr., contra o Capitão Nazi, na revista de Júnior, Master Comic #22.

Mas tudo isso é irrelevante se compararmos com o que aconteceu na Captain Marvel Adventurel #22, de março de 1942, que publicou o primeiro capítulo de “The Monster Society of Evil”, série em 25 partes que se prolongou até #46, em maio de 1945. Nesta época, os gibis tinham mais páginas (média de 64, por edição), com várias histórias diferentes. Cada capítulo da série correspondia a quatro ou mais histórias do Capitão, por revista, direcionando os esforços dos roteiristas para enrêdo único (storyline).




O verdadeiramente inusitado foi a identidade do perverso Mr. Mind, um ser vindo do espaço disposto a conquistar a Terra e liderar os maiores inimigos de Capitão para exterminá-lo. Somente no capítulo seis (Aventuras de Capitão Maravilha #27), o Capitão e os leitores tomaram conhecimento de que Mr. Mind era, na verdade... um verme!

Esta série clássica, reunida num único volume, The Monster Society of Evil, que custa, no mercado de gibis, mais de $100.00, está, agora, disponível na American Nostalgia Library, para consulta. O capítulo final não foi publicado no Brasil até que o fizemos numa edição do PORTAL de papel. Futuramente a disponibilizarei neste blog.


Marvel Jr

Certamente, existe muito mais coisas para se contar sobre o Universo do Capitão Marvel, do que o que pode caber neste espaço, mas eu seria imperdoavelmente negligente se não dedicasse algumas palavras a dois outros famosos personagens: Mary Marvel e Marvel Jr.

Para falar do tema de forma apropriada, diria que Marvel Jr. sempre teve algo de excêntrico; Júnior era um adolescente que usava um uniforme azul (embora, em poucas e excepcionais ocasiões tenha envergado também o vermelho).




Ao lado, uma magnifica pintura de Júnior de autoria de Raboy.

As suas primeiras histórias foram ilustradas por Mac Raboy, desenhista que possuía um traço belo, elegante, diferenciado. Raboy foi também um excelente capista de gibis dos anos 40. À semelhança de Alex Raymond, criador de Flash Gordon, a técnica de Raboy incluía modelos vivos para a construção de seus desenhos.

Nos anos sessenta, devido a alta qualidade de seu traço foi contratado para desenhar as aventuras de Flash Gordon nas tiras de jornal.


Os demais Marvel, com exceção do vilão Adão Negro, sempre usaram uniformes vermelhos (só recentemente, apareceu uma Mary Marvel envergando uniforme branco).

Todas as outras histórias dos Marvel foram contadas no estilo simplista de Beck, Costanza, Shaffenberger. As aventuras de Júnior foram ilustradas por Emmanuel “Mac” Raboy, um dos mais talentosos e realistas artistas da história dos gibis. Porém, a coisa mais excêntrica de todas foi a de que Freddy precisava dizer o nome do Capitão Marvel para transformar-se em Júnior. Para invocar o raio mágico, todos os outros diziam apenas Shazam! Felizmente, isso não acontecia no Brasil, onde Freddy apenas pronunciava a palavra mágica.

Mary Marvel

Mary que fez seu debut em Captain Marvel Adventure # 18, não era uma super-heroina estereotipada, escassamente vestida e escultural, mas uma mocinha recatada, excessivamente coberta e bem comportada. Ignoro porque era normalmente desenhada com um peito mais largo que o Capitão e o Junior[1]. Shaffenberger, um dos artistas iniciais do título The Marvel Family, dotou-a de pequena parcela de sensualidade dando-lhe um uniforme mais curto e sugerindo algumas curvas aqui e ali, algo que todos nós, rapazes mais jovens, apreciávamos.

Questões



Uma questão importante para todo fã dos Marvel: ele precisa estar ciente de que Billy é um menino que se transforma em adulto quando diz a palavra mágica, enquanto Mary e Junior continuam crianças, mesmo depois da transformação. Por que as crianças - especialmente Junior, um jornaleiro aleijado, mudam radicalmente? Por que não somente as roupas?

Outra questão: somente os Sivanas (e os leitores, editores, roteiristas, desenhistas) conheciam o poder da palavra mágica. Entretanto, qualquer que fosse a armadilha de morte que os marginais concebiam para as crianças, depois de capturá-las, sempre os amordaçavam, e o faziam com regularidade curiosa. Será que sabiam mais do que pensávamos, ou eram adivinhos?

O fim da Fawcett

O fim do Capitão Marvel, da Idade de Ouro, aconteceu em 1953, não por causa de seus inimigos, mas sim devido aos inimigos mais mortais do gênero humano: a justiça cega e seus advogados.

O sucesso do personagem no mercado de gibis levou a DC a processar juridicamente a Fawcett por infração de direitos autorais; o Capitão era muito semelhante ao Super-homem, disseram, A Fawcett conseguiu vencer consistentemente em todos os tribunais inferiores, enquanto a DC sempre procurou conduzir a batalha apelando para os tribunais superiores. Os juízes poderiam, facilmente, dar ganho de causa a DC, se ela arguisse que todo herói com super- poderes fossem considerados uma infração. Na verdade, o litígio não foi adiante porque o sucesso dos gibis estava, aparentemente, chegando ao fim, nos últimos dias da Idade Dourada. Antevendo prejuízos, a Fawcett perdeu o ânimo para lutar; se auto-desfez, cancelando não somente os títulos da Família Marvel, mas também toda a sua linha de gibis. (mais detalhes em 2)

Capitão Marvel permaneceu no limbo durante duas décadas. Em 1966, apareceu um novo herói verdadeiramente abominável que usava seu nome. A M.F. Enterprises publicou um Capitão Marvel, em quatro edições, cujo poder era (imagine!) a habilidade para se dividir em pedaços. Também a MARVEL COMICS batizou, com o próprio nome e durante anos, a sua versão Marvel, no caso, um extraterrestre que tinha a missão de preparar a invasão da terra, mas arrepende-se e decide defendê-la. Pior, é que registrou o nome, forçando a DC a colocar a palavra SHAZAM antecedendo o nome do verdadeiro Capitão, em todas as mídias de divulgação.

Desde o processo jurídico, a DC assumiu o destino do herói, mas só o ressuscitou em 1973, tentativa que fracassou porque os fãs não responderam da forma esperada. Beck, que tinha sido convocado para fazer a arte, ficou profundamente irritado.

Os erros da revitalização

O hábito de revitalizar, reavivar personagens antigos, adaptando-os a audiência moderna, precipitou o Capitão Marvel e seu universo num precipício que produziu baixas tiragens, provocadas por causas que estão além do conhecido argumento de que os tempos (e os leitores) mudaram.

E qual teria sido o principal erro que produziu o desastre? Os estudiosos de HQ culparam todos as revitalizações que ousaram colocar o herói fora de seu contexto original. Segundo eles, o Capitão e amigos jamais se ajustaram, com sucesso, ao novo molde, que desprezou as essências intrínsecas dos personagens. Mas os editores replicaram com um contra-argumento: Nas páginas dos gibis atuais, não existe espaço para os heróis da Idade de Ouro conservando as suas características originais.

O segundo erro apontado pelos estudiosos dos quadrinhos foi a convicção, cega e obsessiva, dos editores atuais, de que todo super-herói precisa, obrigatoriamente, habitar o mesmo universo dos demais. Reconheçamos - uma série que contém entre seus personagens: um repórter-criança; um tigre falante, que usa paletó esporte e gravata borboleta; uma grande e secular pedra (da Eternidade), girando no espaço, capaz de interligar presente, passado e futuro; e, finalmente, um pequeno verme vilão, não é logicamente adequada para interagir com o grupo habitual dos personagens da DC.

Revivificando

A tentativa da DC de revivificar o personagem e seu universo, em 1973, até que foi bem planejada. Utilizando escritores como Denny O’Neil, E. Nelson Bridwell e o grande Elliot S. Maggin, e arte de Beck, Shaffenberger, Bob Oksner tudo levava a crer que Shazam iria recapturar o espírito da Idade Dourada. Entretanto, a maioria dos fãs não parecia concordar ou não se preocupavam com o assunto. Mais desastroso, é que não estavam comprando a revista. Quando Beck a abandonou depois de 10 edições, o projeto estava claramente condenado. Shazam durou, exatos, cinco anos e 38 edições.

Após o cancelamento do título em 1978, o Capitão e família foram novamente colocados em quarentena. Eventualmente, apareciam nas histórias da Fawcett-Earth - uma desses mundos alternativos pré-crises onde a DC utilizava personagens que não pertenciam a sua linha principal.

Novo recomeço

Tudo parecia indicar que o novo leitor de quadrinhos não tinha o "felling" adequado para acolher, com simpatia, as histórias de Marvel e sua trupe. Daí o fracasso das vendas. Pensou-se, então, em mudar radicalmente os personagens e o contexto das histórias.

Em 1987, junto com a série Legends crossover, a DC tentou , outra vez, reviver o personagem. Shazam: A New Beginning, foi escrito por Roy Thomas, autor, habitualmente, muito eficiente, mas que se perdeu, terrivelmente, ao apresentar um Billy Batson e seu mundo, bastante inóspito e violento. Após o segundo fracasso, o Capitão permaneceu na DC, sem maiores perspectivas. Foi bem aceito como membro da Liga da Justiça da América, nas primeiras edições daquele título, mas, ultimamente, parece um tanto perdido.

Apesar das várias tentativas de retorno (uma persistente e elogiável atitude da DC), a editora sempre se mostrou titubeante e desajeitada com o personagem, durante duas décadas, principalmente com a ingênua tentativa de tentar incorporar a trupe dos Marvel ao universo dos demais personagens. Como pode um grupo que inclui um tigre falante e um verme extraterrestre, ajustar-se, por exemplo, às histórias de Batman e de Lobo?

A vez de Ordway

Na década de 90, Jerry Ordway, romancista gráfico, recebeu carta branca para produzir os Marvel. Para a indicação, muito contribuiu o seu maravilhoso trabalho como escritor e artista das histórias do Super-Homem.

Com tais credenciais, criou a impecável série The Power of Shazam, com o compromisso de também de ressuscitar os demais personagens importantes da finada editora Fawcett - Hércules (Spy Smash), Ibis, o invencível, Mr. Escarlate e Pinky, um segundo Hércules (Minute Man), Homem e Mulher Bala, dentre outros. Tal perspectiva deixou os fãs dinossáuricos dos quadrinhos de todo o mundo em “estado de graça”. Em se falando do Brasil, lembro-me do entusiasmo do amigo Valdir Dâmaso, fã de carteirinha da famigerada família. Infelizmente, esta série foi também descontinuada devido às baixas vendas.

Hoje, persistem as tentativas dispersas de mantê-los em atividade, mas repetindo o mesmo erro fatal, apontado pelos especialistas, de tentar incluí-los no universo de heróis e super-heróis que não tem a mínima afinidade com a filosofia do mundo do Grande Queijo Vermelho e seus pares. A última mudança radical foi a de transformar Marvel Júnior no atual Capitão Marvel, enquanto Marvel Senior passou a ocupar o lugar do mago Shazam que deve ter morrido (!?) ou se aposentado!

Conclusão

No meu entender, o leitor atual de quadrinhos, que sustenta as editoras comprando seus títulos, não consegue empatizar com heróis ingênuos, assexuados e politicamente corretos, particularmente com o Capitão Marvel que ele classifica como “babacão escarlate, gritador”. E, acredito, pouco importa a competência do artista e/ou do roteirista, e a conseqüente qualidade do trabalho final.

Sobre a questão, o pronunciamento mais verdadeiro sobre os Marvel, foi dito por Charles Clarence Beck (C.C. Beck), seu co-criador, antes de morrer, aos 79 anos de idade, em 1999, após longa enfermidade, no Shands Hospital, em Gainesville, Flórida:

















Charles Clarence Beck

Nos velhos tempos eu podia desenhar uma boa história a partir das experiências de minha vida. Hoje não posso trabalhar o novo Capitão Marvel em situações violentas que eu nunca experimentei. Eles apostaram no meu desenho que não se adaptaram à violência das histórias; e foi isso que levou o personagem a uma cassação precoce”.(3)


E o que fazer? Pensei, se a DC quiser realmente fidelizar novos leitores de quadrinhos, deve começar pelas crianças, produzindo histórias da Família Marvel com desenhos e roteiros infantis. Admito até pequenas atualizações, contanto que seja preservada a essência dos personagens. Logo após redigir este artigo, foi presenteado pelo amigo Dâmaso com um exemplar de uma revista intitulada Adventure da Família Marvel, direcionada para o leitor infantil - com as características de um Mangá, espécie de HQ japonesa, consubstanciando a premissa de que “é de menino que se torce o pepino”. Será que irá dar certo? Só o tempo poderá responder...

Por fim, na condição de fã confesso do Universo Shazam, fico sempre animado quando surge a possibilidade de reviver esses maravilhosos heróis da Idade de Ouro (já existe o projeto de um filme de longa metragem). Principalmente, se são preservadas as suas características históricas essenciais.

BAIXAR REVISTAS:

1. CAPITÃO MARVEL EM 1943 - Download 1

2. SHAZAM PARA NOVOS LEITORES - Download 2

3. ALBUM DE SHAZAM da EBAL - Download 3

4. SHAZAM 3 DA EBAL, SR. MALHADO - Download 4

5. O PODER DE SHAZAM 18, MARY MARVEL - Download 5

Referências:

1. CURTIN, Jack, O Guia dos Gibis (The Guide To Comics ), edição de 23 de julho de 1993. - escritor independente da WIZARD, colecionador de gibis, de Filadélfia.

2. PORTAL Zine, 37, segundo trimestre de 2001. "O juiz obrigou a Fawcett a pagar a indenização de quatrocentos mil dólares, e suspendeu a publicação das histórias do Capitão Marvel e seus correlatos, isto em 1953, exatamente a época em que a venda de quadrinhos havia despencado. Para evitar maiores prejuízos, e desmotivados para persistir com a batalha jurídica, os editores, seguindo recomendações de seu chefe de contabilidade, suspenderam não somente a revista Capitão Marvel, mas todas as publicações da empresa, encerrando as atividades da Fawcett. Por fim, conseguiram que a DC retira-se o processo, cedendo-lhe os direitos autorais de seus personagens. Foi a pá de cal que sepultou definitivamente a empresa."

3. PORTAL, Edição de Natal 1997, pág. 33.

4. ASSUNÇÃO, Otacílio de, (OTA), MARVEL NO BRASIL, in Apenas Ebal@yahoogrupos.com.br.

"Assunto: Re: Marvel nos anos 40 e 50.
Os personagens eram divididos, não saíam numa editora só. Se não me engano, o Capitão América saía no O Guri, enquanto o Tocha e Namor nas
publicações do Roberto Marinho (Gibi, Globo Juvenil etc).— as histórias clássicas das lutas entre os dois eram as campeãs de audiência na época.
Vale lembrar que a Ebal não existia ainda, e somente na segunda metade da década de 40 veio a publicar Superman, e nunca publicou Marvel, a não
ser no fim dos anos 60, quando começou a onda dos super-heróis.

Essa dispersão maluca de personagens por várias editoras acontecia com todas as fontes americanas. Assim, por exemplo, o Batman tanto saía no Guri como em revistas da Rio Gráfica, e também em Superman da Ebal. Isso porque cada editora aqui comprava um título diferente americano (Detective Comics ia para uma editora, Batman para a outra). Por isso, Superman e Batman saíam em várias editoras! Até que se fixaram na Ebal.
E a Família Marvel era dispersada: Mary Marvel era do guri, Capitão Marvel e Cap. Marvel Jr. da Rio Gráfica. E ainda havia as tiras de jornais, então os personagens eram espalhados ainda mais. Cada editora publicava com um nome... assim Batman foi chamado de Morcego Negro, Homem Morcego etc.

Já nos anos 50, como a Marvel parou com os super-heróis, o que saiu nesse período era o resto do resto. Enquanto isso a DC prosseguia com Superman, Batman e Mulher Maravilha e seus derivados, os únicos heróis a sobreviverem ao pós-guerra. Mas a essa altura a exclusividade da DC estava se concentrando na Ebal, com raras exceções (Mulher-maravilha saiu como Super-Mulher pela Orbis durante um curto período, e a O Cruzeiro publicou Adam Strange). Aliás durante a década de 50 e metade da década de 60 só havia duas revistas: superman e batman. Depois que começou Superboy etc... antes disso os personagens DC derivados de Superman e Batman saíam todos nas revistas desses dois.

A Rio Gráfica tinha os personagens “Marvel” (cap. Marvel etc) e os publicou em várias revistas incluindo uma Marvel Magazine, e continuou
publicando por mais quase quinze anos após o cancelamento da Família Marvel nos EUA.

Por volta de 67/68, a Ebal começou uma enxurrada de super-heróis, tanto os da Marvel como os da DC e reinou soberana durante mais uns seis anos, até que começou a perder os personagens para outras editoras, como a Bloch; esta depois cancelou os Marvel que foram divididos entre RGE ou
Abril, ficando depois exclusivamente na Abril até há pouco. A Abril mais tarde arrematou a DC que a Ebal estava largando.
"


[1] Pensei, talvez para caber o desenho de um raio mais largo para disfarçar as proeminências dos seios.

5 comentários:

  1. UAU!!!!!
    Simplesmente SENSACIONAL!!!!
    Obrigado por atender minha sugestão. Tomara que outros artigos apareçam por aqui. Tenho certeza de que muitos vão gostar. O grande problema é que poucos "perdem tempo" para comentar aquilo que é postado.
    Seria legal se todos fizessem seus comentários, o que gostariam de ler...
    Parabéns por esse excelente artigo, Mestre Queiroz.

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  2. Prezado Amigo Queiroz,
    Simplesmente incrível seu artigo sobre o Capitão Marvel, um dos mais completos que já li.
    Só posso lhe dar os parabéns pelo artigo e por esta nova fase do "Portal", trazendo informações, preservando a memória dos quadrinhos da Era do Ouro e os maravilhosos scans.
    Abração
    Sabino

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  3. Baixei d0 site bau do lezinho um episodio do capitão marvel de 1940. ainda não assisti e não sei da qualidade tecnica. Talvez voces já o tenham, mas se não tiverem fica a dica... e claro, obrigado também pelo texto belissimo do grande queijo vermelho...

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  4. Anteriormente havia dito que vi um link do filme do capitão marvel no "baú do lezinho". Ledo engano: vi mesmo foi neste link: http://jrneto2247.blogspot.com/2011/03/as-aventuras-do-capitao-marvel-1941.html
    Desculpem-me, por favor...

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  5. https://www.youtube.com/watch?v=ttnNdbrfh8Y

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