segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A MITOLOGIA DO CAPITÃO MARVEL - SHAZAM!

Li no site, http://guedes-manifesto.blogspot.com/2012/02/o-lado-oculto-dos-super-herois.html - a seguinte informação:


Roberto Guedes













O lado oculto dos super-heróis



"[...] A série Capitão Marvel, de Bill Parker e C.C. Beck dá um passo adiante na emblemática do alter ego super-heróico, e é ainda mais escancaradamente ocultista. Billy Batson é o menino que se transforma numa entidade super-humana ao pronunciar a palavra mágica 'Shazam' – que é a junção das iniciais de uma personalidade bíblica com a de divindades mitológicas, mas também o nome de seu guru. 



A origem do Capitão Marvel é apresentada como uma cerimônia de iniciação tal qual a de sociedades secretas da antiguidade. Beck, embora fosse filho de um pastou luterano, trabalhou bem os símbolos místicos espalhados nas histórias – indicando, ao menos, conhecimento de causa –, e a há quem garanta que Parker, o roteirista, fosse maçom."



Este texto é apenas um parágrafo de um longo artigo de minha autoria que será publicado em breve em uma revista de circulação nacional. Assim que chegar às bancas, informarei por aqui. Portanto, fique ligado, intrepid one.

© Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.


CONTRADIZENDO
      Capitão Marvel e o mago Shazam!

Informo, em defesa da justiça e da verdade, que, no caso do Capitão Marvel, outro leitor e conhecedor das HQs já havia escrito um ensaio sobre as origens míticas e mitológicas do personagem. Refiro-me  ao amigo cineasta Carlos Modesto, fã ardoroso de cinema e dos quadrinhos da Golden Age que escreveu em dezembro de 1999, nas páginas do PORTAL ZINE de papel, um artigo sobre as origens mistíca e mitológica do Capitão Marvel, insinuando, inclusive, que o seu co-criador o roteirista Bill Parker (o outro foi o desenhista C.C. Beck) mostrou possuir conhecimentos de magia, de mitologia e de teologia. Em 2008, pedi-lhe para revisar a matéria e a publiquei na Edição de Natal de 2008 do PORTAL ZINE. 

Capa do PORTAL Zine que publicou a segunda versão do ensaio de Carlos Modesto

Para que o leitor tome conhecimento do fato decidi colocar o ensaio no blog. Basta ler, amigo leitor, para confirmar a afirmação que fiz acima.



ENSAIO




O fascínio pelo desconhecido e o fantástico, é uma trajetória que persegue o homem desde o alvorecer da humanidade.

O fogo, o trovão, o relâmpago e outros fenômenos da natureza que não podiam ser explicados à sua mente ainda incipiente em conhecimentos científicos, transformavam-se em extravagantes idéias mirabolantes levadas de imediato para o lado sobrenatural ou mágico, criando lendas e mitos, que até hoje continuam a residir na imaginação do homem hodierno. Conscientemente ou inconscientemente, o misticismo, a mitologia e a religião, sempre fizeram parte das histórias dos heróis de papel.

Certos autores das revistas de quadrinhos deram aos seus personagens poderes mágicos, místicos e sobrenaturais, que são explicitamente notados e outros esconderam estas condições que serão descobertos apenas pelo leitor mais perspicaz.

             Íbis, Taia e o triângulo mágico


O triângulo mágico de "ÍBIS", o machado de "THOR", o ilusionismo de "MANDRAKE" (e seus imitadores na saga dos quadrinhos), a leitura de pensamento de "RADAR",  os poderes do "SUPER-HOMEM" e palavra mágica "SHAZAM", pronunciada pelo adolescente Billy Batson que a transforma no " CAPITÃO MARVEL", são, sem dúvida alguma, condições místicas desses heróis imaginários que continuam sobrevivendo (alguns) até hoje em algumas revistas atuais, devido a este poder de encantamento de colocar a mente do leitor transitando da realidade para a fantasia.

SHAZAM, A PALAVRA PERDIDA?

Pronunciando a palavra mágica ...

... Billy Batson adquire os poderes de cinco deuses e a sapiência de um sábio.

S - Salomão.......... Sabedoria
H - Hércules.......... Força
A - Atlas...... .......... Vigor
Z - Zeus ................  Poder
A - Aquiles............. Coragem
A - Mercúrio........... Velocidade

    A outorga dos poderes

Os místicos e alquimistas do pretérito sempre procuraram encontrar a Palavra Perdida, a Pedra Filosofal, pedra esta, que possuía as qualidades de prolongar a vida, curar doenças, evitar o envelhecimento e realizar outros milagres. Já na Palavra Perdida, o místico ao descobri-la e pronunciá-la corretamente, espera adquirir o poder de tudo realizar, quando o homem se tornará um Criador integral com as qualidades de Deus.
Para exemplificar que o misticismo e a mitologia sempre estiveram ativos nos quadrinhos, iniciemos analisando o herói 'CAPITÃO MARVEL".
Nenhuma palavra exerceu tamanha fantasia aos garotos do meu tempo (década de 40 e 50), do que a palavra "SHAZAM". Para muitos de nós, era real. E ao pronunciá-la, nós voávamos nas asas da imaginação.
Com a fórmula acima Billy Parker criou, em 1939, o personagem "CAPITÃO MARVEL". Acredito que ele tinha algum conhecimento sobre o misticismo, mitologia e esoterismo. Talvez, tenha se baseado nas palavras "Presto", “Abracadabra", ou mesmo na Palavra Perdida!!! A verdade é que a palavra "SHAZAM!!”" ganhou um poder tão grande que até a presente data não conseguimos esquecê-la.
Para mim, a criança que gritava SHAZAM! Só não se transformava no "CAPITÃO MARVEL", porque não sabia como pronunciar a palavra mágica com as vibrações sonoras adequadas!!
Na Bíblia é citado que no "No início era a palavra e a palavra era Deus" (João.l), Palavra esta que até hoje continua sendo pronunciada mantendo em a ordem e o sistema de todo o Universo e que se tornou a busca constante do místico sincero, que deseja encontrá-la e usá-la em benefício da humanidade.
Continuando a análise, logo na primeira história ficávamos sabendo como foi a origem do "CAPITÃO MARVEL: um mago imortal[1] chamado "Shazam!" (O Deus todo poderoso transfigurado em homem com imagem parecida com a do mago Merlin, mesclada com a de Deus Jeovha), atraiu a uma caverna - ou talvez um túnel de metrô abandonado - um jovem chamado Billy Batson; depois de conhecer as dificuldades e as virtudes da sua vida (o mestre que se apresenta ao discípulo quando este último se encontra pronto), através de uma gigantesca tela que lhe mostrava todos os acontecimentos passado no Universo (o olho que tudo vê) resolve premiar o adolescente com o dom da magia (Ciência Oculta).

...atraiu a uma caverna - ou talvez um túnel de metrô abandonado - um jovem chamado Billy Batson...

Sendo assim, quando Billy Batson é instruído a pronunciar a palavra "SHAZAM" transforma-se no herói que tem os poderes concentrados de cinco deuses mitológicos e um rei bíblico (Salomão)  - a religião aliada aos mitos, ou vice-versa. A metamorfose é puramente mágica (ou mística): ao pronunciar o nome do velho mago egípcio "Shazam" (o embrião de todo conhecimento profundo das Leis da Natureza), um estrondo se produz, um raio corta o ar e ele se transforma no Mais Poderoso Mortal do Planeta, o "CAPITÃO MARVEL"!!!
Talvez o sucesso maior do herói tenha sido a sua afinidade com o mistério da magia que produzia em nós um encantamento sem limites. Outra característica que observei ao analisar o personagem é o desenho do relâmpago triangular com o vértice voltado para baixo (desenhado frontalmente em sua roupa) com a sua ponta terminando no plexo solar. Foi o que aumentou ainda mais a minha convicção de que o criador de Marvel era um iniciado em Ciências Ocultas. E difícil encontrar no mesmo personagem dois grandes símbolos místicos interligados (relâmpago e plexo solar). Tal combinação me pareceu ser muito mais do que mera coincidência.

Outra característica que observei...foi o desenho do relâmpago triangular com o vértice voltado para baixo (desenhado frontalmente em sua roupa) com a sua ponta terminando no plexo solar.











Entre as características peculiares do
"CAPITÃO MARVEL" destaco a dualidade do homem, traduzida pela alma imortal do super-herói constrastando com o corpo físico temporal do frágil adolescente Billy Batson.

Outro saber marcante me fez acreditar que Bill Parker tinha conhecimentos místicos: é que ao nomear o vilão mais querido dos quadrinhos, o cientista louco chamado no Brasil de Dr. Silvana (Sivana, no original americano), utilizou a combinação dos nomes místicos indianos Siva e Nirvana.

A família Silvana (ou Sivana)


O "CAPITÃO MARVEL" foi desmoralizado verbalmente pelo seu arqui-inimigo - o Dr. Silvana que lhe impôs inúmeros pejorativos, principalmente os de Paspalho Vermelho e de Grande Queijo Vermelho.
O nosso herói foi muitas vezes humilhado e criticado como ingênuo e tolo (o mito de Parsifal, que através de sua pureza mata o dragão e chega até o Santo Graal).



A mitologia, a ficção científica e o humor sempre fizeram parte das histórias do “CAPITÃO MARVEL” como também, a simpática modéstia de seu alter-ego Billy Batson e seu modo simples de trajar-se com quem nós crianças conseguíamos nos identificar.
O ensaio é apenas um aperitivo para mostrar que, muitas vezes, em relatos simples se escondem significados profundos.
Na inocência desses encantadores heróis de papel que muitas vezes nos transportaram, quando crianças, do mundo concreto ao mundo da fantasia, as suas façanhas mirabolantes nos ajudaram a imaginar e a criar as técnicas avançadas do presente e do futuro, que não passavam de um sonho e hoje configura-se como um poder real, próprio do homem, capaz de torná-lo semelhante a um verdadeiro "CAPITÃO MARVEL", O MAIS PODEROSO MORTAL DO MUNDO.

FIM

E.T. - Esta matéria foi publicada antes, na mesma revista PORTALZINE, de Salvador, BA, em dezembro de 1999. Revisada pelo autor no dia 12 de outubro de 2004



[1] Que, mais tarde, deixou de se imortal, pois morreu esmagado por um pedra. O Capitão Marvel assumiu o seu lugar e Marvel Jr. tornou-se o novo Capitão Marvel, mas isto é outra história... (Queiroz)




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